quinta-feira, 6 de junho de 2013

E QUEM NÃO AMA LER NUNCA ENTENDERÁ PORQUE TANTO AMOR POR UM SIMPLES "MONTE DE PAPEL"


Sou orgulhosamente filha de professora. E professora de Língua Portuguesa (hoje aposentada merecidamente).

Minha mãe lecionou em Santo Antônio do Aracanguá.
Nessa época eu tinha 3, 4 anos. O percurso de Araçatuba até lá era de terra e não havia transporte como ônibus. Os professores da escola eram todos de Araçatuba e iam de perua Kombi logo ao amanhecer -algumas vezes antes- e voltavam após as aulas do noturno.
Foi um tempo muito difícil para mim porque via pouco minha mãe durante a semana.
Sentia falta de seus carinhos, conversa, colo. Comecei a escrever recadinhos para ela. Se eu já sabia ler e escrever nessa idade? Não! Não sabia. Mas eu pegava o jornal e copiava letrinhas num pedaço de papel, dobrava e deixava em cima do travesseiro dela.
Ela passou a me incentivar, dizendo que adorava o que eu escrevia, que ficava feliz quando lia meus bilhetinhos e eu acreditando continuei a "escrever".
Passei a não me contentar em copiar do jornal.
Pedia ajuda a meu pai, meu irmão que já estava na escola, a empregada, enfim, todos que aceitassem ajudar-me.
Não preciso nem dizer que em pouco tempo já estava lendo e escrevendo, mesmo antes de ir à escola.
Como esse gesto de incentivo fez diferença em minha vida!

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